O intestino humano é muito mais do que um órgão digestivo. Ele abriga trilhões de micro-organismos que compõem a microbiota intestinal, estrutura responsável por uma série de funções reguladoras fundamentais para o metabolismo, o sistema imune, o sistema nervoso e a produção hormonal. O desequilíbrio dessa microbiota, conhecido como disbiose, tem sido associado a uma ampla gama de condições clínicas, desde distúrbios gastrointestinais até transtornos mentais e doenças autoimunes.

O que é disbiose intestinal?

Disbiose é um desequilíbrio qualitativo e quantitativo da flora intestinal, em que há predominância de micro-organismos patogênicos ou redução de espécies benéficas. Esse desequilíbrio pode ser causado por diversos fatores, como uso excessivo de antibóticos, dietas pobres em fibras, consumo frequente de alimentos ultraprocessados, estresse crônico, distúrbios do sono, intoxicações ambientais e infecções recorrentes.

Sintomas comuns associados à disbiose

  • Inchaço abdominal, gases e desconforto digestivo
  • Constipação ou diarreia crônica
  • Refluxo ou queimação estomacal
  • Intolerâncias alimentares adquiridas (ex: lactose, frutose)
  • Fadiga persistente e sensação de “mente nublada”
  • Alteracões de humor, ansiedade, irritabilidade
  • Dificuldades de concentração e memória
  • Baixa imunidade, infecções frequentes ou alergias

Esses sintomas surgem porque a disbiose afeta a permeabilidade intestinal, contribuindo para um estado inflamatório sistêmico conhecido como “intestino permeável”. Isso permite a passagem de toxinas, fragmentos bacterianos e alimentos parcialmente digeridos para a corrente sanguínea, ativando o sistema imune e desequilibrando eixos hormonais e neuroquímicos importantes.

Impacto sistêmico da microbiota intestinal

Estudos recentes confirmam a conexão direta entre a saúde intestinal e MUITAS condições clínicas, metabólicas e/ou fisiológicas e até psicológicas, como:

  • Transtornos do humor: depressão, ansiedade, transtorno do pânico
  • Doenças metabólicas: obesidade, síndrome metabólica, diabetes tipo 2
  • Doenças autoimunes: Hashimoto, artrite reumatoide, psoríase
  • Doenças neurológicas: Parkinson, Alzheimer, autismo
  • Dermatites, acne e condições inflamatórias da pele

O eixo intestino-cérebro é um dos mecanismos mais investigados atualmente, demonstrando que a microbiota regula a produção de neurotransmissores como serotonina, GABA e dopamina, além de participar ativamente na resposta ao estresse e na regulação do eixo HPA (hipotálamo-hipófise-adrenal).

Fatores de risco para disbiose

  • Dietas ricas em alimentos ultraprocessados e processados, açúcar e aditivos artificiais
  • Baixo consumo de fibras solúveis e insolúveis
  • Uso de antibióticos e anti-inflamatórios sem reposição de microbiota
  • Sedentarismo e sono irregular
  • Estresse psicoemocional crônico
  • Exposição a metais pesados, pesticidas e poluentes
  • Alcoolismo 

Prevenção e reequilíbrio da microbiota

O primeiro passo é adotar uma alimentação rica em fibras prebióticas (frutas e vegetais com DIVERSIDADE e SAZONALIDADE), alimentos fermentados (como kefir, kombuchá, missô e chucrute). Em alguns casos, pode ser necessário o uso de probióticos e simbóticos específicos, além de investigar e tratar condições associadas como SIBO, parasitoses e inflamações intestinais crônicas.

Conclusão A saúde do intestino é central para o equilíbrio do organismo como um todo. Cuidar da microbiota é uma estratégia preventiva e terapêutica para inúmeras condições crônicas. Um intestino funcional é também um reflexo de um estilo de vida coerente, que integra alimentação, movimento, sono e gestão emocional.